Uma cidade que é o retrato da fé.

A cidade é o retrato da fé. Por todos os lados, em cada igreja, em cada praça, a cada monumento e em cada rosto e expressão, a imagem de Padre Cícero permanece viva. Idolatrado em todo o nordeste, o padre milagreiro é reverenciado a cada dia com uma nova romaria. Desenhado nas rugas humildes deste povo devoto, o fanatismo pelo santo construiu Juazeiro, que hoje vive do turismo religioso. Aterrizada no interior do Ceará, a 528 km de Fortaleza, a segunda maior cidade do Estado virou manjedoura de missas, procissões, rezas, peregrinações e festas folclóricas em homenagem ao eterno "Padim Ciço", como os seguidores o chamam.
Quem faz este roteiro da fé, se impressiona com a quantidade de devotos e penitentes que invadem a cidade a cada festa religiosa. Eles estão sempre em busca dos milagres do santo que fundou Juazeiro. Nestes dias festivos, a população de 250 mil pessoas ultrapassa os 2 milhões, que vêm de todos os lugares do Brasil, principalmente do nordeste.
A História de Padre Cícero
Tudo começou em 24 de março de 1844, em Crato, no Ceará, onde nasceu Cícero Romão Batista. Desde cedo, a vocação religiosa era notável e se intensificou com a leitura da biografia de São Francisco Sales. Em 1870, Cícero virou padre. Em 1872, ele teve um sonho com Jesus Cristo e os doze Apóstolos. Segundo ele, Cristo pediu-lhe para que tomasse conta dos pobres sertanejos do povoado de Juazeiro, a 10 km de Crato.
Aos 28 anos, Cícero partiu para o então povoado e o transformou em cidade. Logo, Padre Cícero já dava sinais divinos. Seu primeiro milagre ocorreu na comunhão de uma beata. Ao comungar, a hóstia se transformou em sangue. A notícia correu o mundo. Padre Cícero continuou fazendo milagres e curando doentes na frente de padres, fiéis e médicos. Em 1889, o monsenhor Francisco Monteiro, reitor do seminário de Crato, assumiu publicamente Cícero como milagreiro e organizou uma romaria com três mil pessoas até Juazeiro.
A igreja católica contestou e o caso foi parar no Vaticano. Lá, a Congregação do Santo Ofício quis excomungá-lo, mas desistiu com medo da reação popular. Mesmo assim, Cícero ficou impedido de rezar missas e foi acusado de propagar o fanatismo. Decepcionado, o milagreiro virou político e assumiu o posto de Prefeito de Juazeiro do Norte, conseguindo a autonomia da cidade e a rejeição da igreja. A população da cidade cresceu. Pessoas de várias regiões fixaram residência em Juazeiro para estarem mais próximas do padre. Em 1934, morreu o santo, aos 90 anos. A partir daí, Juazeiro que foi criada por ele, passou a viver para ele, em uma eterna reverência de devoção e fé.
A grandiosidade do milagreiro
Como a cidade respira a imagem do mito, as atrações e pontos turísticos de Juazeiro são homenagens ao santo. Para começar o seu tour pela cidade, visite a Estátua do Padre Cícero na Serra do Horto. Ela é a terceira maior obra de concreto do mundo, com 27 m de altura, só ficando atrás da Estátua da Liberdade, em New York e do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. Construída em 1969 pelo artista plástico Armando Lacerda, ela foi erguida no local onde o "Padim" gostava de fazer retiros espirituais.
Resquícios do padre Cícero
Depois de visitar a gigantesca reprodução do padre, conheça o último lugar onde ele morou e que se transformou no Museu do Padre Cícero . Aqui, estão guardadas e expostas as batinas, oratórios, imagens sacras, chapéus, óculos, livros e muitos objetos do padre. E, para saber mais sobre este nordestino que trouxe a fé para o nordeste, nada melhor do que uma visita ao Memorial do Padre Cícero , onde você encontra uma biblioteca, fotos de época e assiste a seminários sobre a vida do "Padim".